A repressão ao instinto sexual e suas consequências

18 10 2009

Aproveitando para dar boas-vindas à minha amiga Joici Cristina Cruz, do blog As Peripécias do Mundo, como minha parceira na construção das Memórias de Ebrael, vou falar sobre um assunto sobre o qual falamos em uma de nossas primeiras conversas: a repressão aos instintos sexuais e suas implicações na vida das pessoas.

Freud alegava que boa parte dos transtornos mentais da idade adulta têm origem em distúrbios sexuais, e ainda que um parcela significativa, oriundas na infância e/ou adolescência. Ontem, li um artigo no blog da Fátima Jacinto, sobre as máscaras da personalidade, assumidas pelos adultos, e com início na infância. Segundo ela, para que não sofra rejeição e receba o amor de seus pais, a criança tende a mascarar sua vulnerabilidade através de um comportamento que seja “aceitável” àqueles de quem esperam proteção e aprovação. Isso implica que, no caso de um comportamento, que na infância é despido de “pecado”, mas não aos olhos dos adultos, a criança prefira esconder suas inclinações, sejam elas de qual ordem for, através de uma postura “aceitável”, porém de renúncia de seus instintos. Então, a repressão, o abafamento dos instintos sexuais, ainda que em estado incipiente, se originaria na infância.

Eu concordo com a Joici, quando ela diz que Freud não deveria levar tudo a ferro e fogo. Acho, como ela, que nem todos os problemas mentais têm fundo sexual. Mas afirmo que o instinto sexual é a força mais poderosa da psique humana, mais até do que o instinto de sobrevivência. O instinto de sobrevivência nos arrebata igualmente como o sexual, porém o sexual vai mais além. No afã e no delírio do desejo sexual, não nos importaríamos de morrermos ali, se lhe fosse possível escolher.

Em uma situação de perigo de vida ou aniquilação, ainda que a coragem seja um vetor poderoso para que tentemos até o fim nos salvarmos, há a tristeza. É a tristeza de saber que somos essencialmente egoístas, e que faríamos qualquer coisa para nos salvar, mas não para salvar o outro. Pelo menos, nem sempre. No instinto de sobrevivência não há o Amor, pois que o Amor exige a transcendência do medo, e isso exige uma renúncia suprema e última do que é seu pelo que é do outro. No ato sexual (não o simplista ato de copular, mas o desejo de perpetuação), nos agregamos tamto ao outro corpo, e o desejo de nos fundirmos no Amor é tão grande, que morreríamos felizes, sem remorsos, se esse fosse o preço de uma união completa dos corpos e das almas. Esse é o gozo, o prazer, e ao mesmo tempo a trsiteza, pois vemos que não morremos naquela hora, viveremos novamente a separação dos corpos sem que o objetivo de união fosse completado.

O instinto sexual é basicamente “natural”. O que quero dizer que independe de nossa vontade. Ele está presente como potência do corpo material do qual nossa alma se reveste. Ele é o animal que nos estimula, inconscientemente, a nos perpetuar e livremente nos dissolvermos no outro corpo. É a procriação (diferente do conceito católico), que busca criar incessantemente, sem contudo nos exigir a geração de outro corpo, ainda que isso fosse “natural”. Dizemos fazer sexo por prazer simplesmente porque temos consciência dessas sensações. Podemos descrevê-las, e disso gerar mais prazer.

 

 

Não se pode renegar que vivemos em um corpo animal. Não se pode negligenciar e deixar de cuidar desse corpo animal, impunemente, sem sofrer as repreensões e revoltas desse mesmo corpo, dessa mesma força. Não se trata aqui de apologia à liberação sexual, ou então, libertinagem ou estímulo à orgia. Mas a auto-determinação e a liberdade de opção em termos de sexualidade é fundamental para que um ser humano caminhe seguro pela vida. Um ser humano seguro é aquele que consegue viver harmoniosamente no mundo, e transitar livremente entre seu corpo e sua mente sem conflitos nuito graves.

A repressão, por parte dos pais, das religiões e da sociedade, em forma de tabus e estereótipos, aos instintos de uma pessoa, assim como o é comsuas crenças mais íntimas, é uma violência terrível, tanto quanto o é o medo da morte e da fome. A personalidade verdadeira da pessoa vai afundando, mais e mais, para um lado remoto da mente, ficando camuflada por máscaras que satisfaçam as vontades alheias. Esse é, portanto, um ser humano escravo das circustâncias. O dia em que essa mácara de convenções e atitudes superficiais se desfaz, irrompe, furiosa, a fera aprisionada, que exige liberdade, e devolve em excessos, ainda mais grassos, as opressões que o mundo lhe impôs.

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Repostado de: http://memoriasdeebrael.blogspot.com/2009/10/repressao-ao-instinto-sexual-e-suas.html


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4 respostas

22 11 2009
Mundo das Poesias

Olá caro Amigo Ebrael!

Acho muito importante abordar este tema, realmente Freud está certo pelo menos em parte, os distúrbios sexuais atrapalham muito nossa vida.

Acho que a grande culpada de muitos dos transtornos da sociedade, inclusive este é a religião.

Grande Abraço Amigo!

Lauro Daniel

22 11 2009
Ebrael Shaddai

Lauro,

Não tenho dúvida alguma que algumas regras anti-naturais das religiões são responsáveis pelo agravamento do estado de ignorância das pessoas, fazendo com que suas mentes supervalorizem o que é errado, pois chamam mais atenção para isso. Quando a represa não aguenta, aí as águas das sensações reprimidas inundam e devastam tudo a sua frente. Aí pode não haver mais jeito!!

Abçs!!

23 11 2009
Mundo das Poesias

Ebrael,

Exatamente, brilhante sua resposta, foi até poético, até nas respostas você escreve em poesia…kkk

Abraços amigo!

Lauro Daniel

23 11 2009
Ebrael Shaddai

kkkkkkkkkkk nem sempre usar metáforas pode soar gentil e poético…kkkkkk

Abçs tbm!

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