O Pássaro Cardíaco

8 11 2009

Há alguns dias, postei uma poesia minha no blog da Joici. Lá, alguns de nossos amigos em comum, tais como o Joselito, ficaram surpresos com uma expressão que usei: pássaro cardíaco. E me senti impelido a escrever sobre isso aqui, como forma de desenvolver esse tema, que ora me encanta, ora me assusta.

Pássaro Cardíaco é uma expressão poética que usei para me referir ao coração do poeta. Eu vejo, mesmo que de forma um pouco infantil, ou simbólica, o coração como um pássaro, que às vezes canta como um rouxinol, chora como um corvo, machuca como uma gaivota, ou então se enamora irremediavelmente como um colibri. A distância de nosso coração à pureza dos pássaros é grande, tal como não morremos ao nos separar de quem amamos, como o colibri, nem choramos por toda o resto de nossas noites pela morte de um relacionamento, como o corvo. Mas é reconfortante saber que nosso coração complicado, um dia, poderia voar mais alto, como naquela poesia, assim como a Pequena Borboleta (Baby Butterfly) de que falei.

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Colibri

 

O Pássaro Cardíaco

Na Aurora te vi passar, quieto.
De um ritmo certo, com calma,
Bateste na porta de minh’alma,
Querendo só uma gota de afeto.

Anunciaste mais um Sol nascente;
Bebeste de meu sangue em torrente.
Bicaste as flores e frutos da alvorada,
E então, a Lepidóptera, lá, pousada.

Porque te afliges, tu que és liberto??
No mais errado, sempre estás certo,
E quando estás perto, quão erras a meta!!

Cantarias apaixonado, na mata ou no deserto,
Para a Vida ou a Morte, o círculo ou a reta,
Deixas com Ela o Cupido, de quem és a seta!!

 





Policiais f.d.p. continuam a cometer brutalidades em SC.

2 11 2009

Ontem, numa reportagem de uma correspondente de uma emissora de TV de SC, ficamos envergonhados novamente de saber que pagamos os salários de torturadores. Sim, policiais praticam tortura sistemática em presídios de toda Santa Catarina!!

Os detentos que lá estão, muitos (não todos!!) não valem o que comem. Mas aqueles policiais provaram que podem valer ainda menos!!

Enão me venham com essa história de que os policiais são pais-de-família, nao me venham dizer que sofrem pressão psicológica!! Não me venha o Sr. Governador dizer-me que “eles poderão até ser demitidos!”!! Eles deveriam ser (da mesma forma como fizeram com os presos) afogados em vasos sanitários e sentir o lenho de um bom cacete!!

Vadios!! Digo e repito: NÃO PASSAM DE UMA CAMBADA DE FILHOS-DA-PUTA!!

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Veja o vídeo no site do Fantástico!!





Ninfomaníacos: viciados em sexo.

19 10 2009

A ninfomania é também conhecida por outros nomes, como erotomania ou Desejo Sexual Hiperativo (DSH). Caracteriza-se, basicamente, pelo desejo sexual exagerado, viciado, contínuo e compulsivo. Pode afetar tanto homens como mulheres.

É tratada como doença psiquiátrica. O ninfomaníaco apresenta grande desejo sexual e inclinação a práticas extravagantes de sexo, principalmente no que diz respeito à frequência e ao número de parceiros (promiscuidade). Pode ser considerada um vício, pois a simples diminuição voluntária, por esforço, da frequência do sexo, causa imenso sofrimento psicológico (ansiedade, sintomas físicos – boca seca, palpitação, dores de cabeça, etc.), comportamento anti-social (assédio sexual, pedofilia, violência, crimes passionais).

O ninfomaníaco sente um imenso prazer e satisfação a cada orgasmo, e ainda mais, a cada vez que seu “recorde” é batido. São reações típicas de uma pessoa viciada, que não consegue mais viver sem aquele hábito, não importando o quão exposto socialmente tal hábito lhe deixará.

Hoje em dia, com o maior acesso aos meios de comunicação como internet, encontramos uma nova modalidade deste tipo de hipersexualidade: compulsão sexual virtual (sexo virtual), atingindo mais de 2 milhões de pessoas mundo afora.

 

O que causa??

O Desejo Sexual Hiperativo é uma síndrome que pode se originar de diferentes causas. Por vezes, é visto como um problema de vício e dependência do sexo, similar às dependências de cocaína, álcool ou heroína. Pode ser encarado como um problema de comportamento mal adaptado, onde o ato repetitivo de busca de prazer sexual foi aprendido ao longo da vida como tranqüilizante, diminuindo sentimentos de ansiedade, medo e solidão. Também podemos compreender esse distúrbio como uma doença, com alterações anormais no balanço de substâncias cerebrais (neurotransmissores).

Nas teorias psicanalíticas, a hipersexualidade pode ser entendida como uma fixação nos níveis pré-edípicos do desenvolvimento sexual, na fase anal, mais especificamente, onde as ansiedades são deslocadas para comportamentos compulsivos.

 

Tem tratamento??

Normalmente é o psiquiatra ou o terapeuta sexual que é procurado ou indicado para esse tipo de transtorno.

As linhas de tratamento podem ser empregadas isoladas, mas tem se recorrido muito a tipos de tratamentos combinados, como o uso de medicação concomitantemente à psicoterapia cognitivo comportamental ou focal. Os grupos de apoio tem demonstrado grande utilidade como terapia adjuvante.

Algumas drogas podem ser utilizadas nos casos em que a compulsão ao sexo é predominante, como os Inibidores da Recaptação da Serotonina.

Para aquelas pessoas que apresentam sintomas de voyeurismo ou exibicionismo, a psicoterapia de orientação analítica é a mais indicada, exigindo maior tempo de tratamento.

Em casos mais graves, onde a compulsão coloca outras pessoas também em risco (como abuso sexual ou estupro), pode-se fazer uso de algumas medicações a base de hormônios (progesterona) que inibam o desejo sexual. Em alguns casos, a internação do paciente se faz necessária para contenção de riscos.

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Fonte: http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?10





A repressão ao instinto sexual e suas consequências

18 10 2009

Aproveitando para dar boas-vindas à minha amiga Joici Cristina Cruz, do blog As Peripécias do Mundo, como minha parceira na construção das Memórias de Ebrael, vou falar sobre um assunto sobre o qual falamos em uma de nossas primeiras conversas: a repressão aos instintos sexuais e suas implicações na vida das pessoas.

Freud alegava que boa parte dos transtornos mentais da idade adulta têm origem em distúrbios sexuais, e ainda que um parcela significativa, oriundas na infância e/ou adolescência. Ontem, li um artigo no blog da Fátima Jacinto, sobre as máscaras da personalidade, assumidas pelos adultos, e com início na infância. Segundo ela, para que não sofra rejeição e receba o amor de seus pais, a criança tende a mascarar sua vulnerabilidade através de um comportamento que seja “aceitável” àqueles de quem esperam proteção e aprovação. Isso implica que, no caso de um comportamento, que na infância é despido de “pecado”, mas não aos olhos dos adultos, a criança prefira esconder suas inclinações, sejam elas de qual ordem for, através de uma postura “aceitável”, porém de renúncia de seus instintos. Então, a repressão, o abafamento dos instintos sexuais, ainda que em estado incipiente, se originaria na infância.

Eu concordo com a Joici, quando ela diz que Freud não deveria levar tudo a ferro e fogo. Acho, como ela, que nem todos os problemas mentais têm fundo sexual. Mas afirmo que o instinto sexual é a força mais poderosa da psique humana, mais até do que o instinto de sobrevivência. O instinto de sobrevivência nos arrebata igualmente como o sexual, porém o sexual vai mais além. No afã e no delírio do desejo sexual, não nos importaríamos de morrermos ali, se lhe fosse possível escolher.

Em uma situação de perigo de vida ou aniquilação, ainda que a coragem seja um vetor poderoso para que tentemos até o fim nos salvarmos, há a tristeza. É a tristeza de saber que somos essencialmente egoístas, e que faríamos qualquer coisa para nos salvar, mas não para salvar o outro. Pelo menos, nem sempre. No instinto de sobrevivência não há o Amor, pois que o Amor exige a transcendência do medo, e isso exige uma renúncia suprema e última do que é seu pelo que é do outro. No ato sexual (não o simplista ato de copular, mas o desejo de perpetuação), nos agregamos tamto ao outro corpo, e o desejo de nos fundirmos no Amor é tão grande, que morreríamos felizes, sem remorsos, se esse fosse o preço de uma união completa dos corpos e das almas. Esse é o gozo, o prazer, e ao mesmo tempo a trsiteza, pois vemos que não morremos naquela hora, viveremos novamente a separação dos corpos sem que o objetivo de união fosse completado.

O instinto sexual é basicamente “natural”. O que quero dizer que independe de nossa vontade. Ele está presente como potência do corpo material do qual nossa alma se reveste. Ele é o animal que nos estimula, inconscientemente, a nos perpetuar e livremente nos dissolvermos no outro corpo. É a procriação (diferente do conceito católico), que busca criar incessantemente, sem contudo nos exigir a geração de outro corpo, ainda que isso fosse “natural”. Dizemos fazer sexo por prazer simplesmente porque temos consciência dessas sensações. Podemos descrevê-las, e disso gerar mais prazer.

 

 

Não se pode renegar que vivemos em um corpo animal. Não se pode negligenciar e deixar de cuidar desse corpo animal, impunemente, sem sofrer as repreensões e revoltas desse mesmo corpo, dessa mesma força. Não se trata aqui de apologia à liberação sexual, ou então, libertinagem ou estímulo à orgia. Mas a auto-determinação e a liberdade de opção em termos de sexualidade é fundamental para que um ser humano caminhe seguro pela vida. Um ser humano seguro é aquele que consegue viver harmoniosamente no mundo, e transitar livremente entre seu corpo e sua mente sem conflitos nuito graves.

A repressão, por parte dos pais, das religiões e da sociedade, em forma de tabus e estereótipos, aos instintos de uma pessoa, assim como o é comsuas crenças mais íntimas, é uma violência terrível, tanto quanto o é o medo da morte e da fome. A personalidade verdadeira da pessoa vai afundando, mais e mais, para um lado remoto da mente, ficando camuflada por máscaras que satisfaçam as vontades alheias. Esse é, portanto, um ser humano escravo das circustâncias. O dia em que essa mácara de convenções e atitudes superficiais se desfaz, irrompe, furiosa, a fera aprisionada, que exige liberdade, e devolve em excessos, ainda mais grassos, as opressões que o mundo lhe impôs.

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Repostado de: http://memoriasdeebrael.blogspot.com/2009/10/repressao-ao-instinto-sexual-e-suas.html





Mea culpa, mea maxima culpa!!

14 10 2009

Para mim, um dos maiores dramas e ilusões da humanidade chama-se pecado. Por ele, se cometem loucuras, contra eles fazem-se verdadeiras guerras religiosas, pais se voltam contra filhos e vice-versa. Por ele, os instintos básicos e vitais da sexulaidade sadia se degeneram em verdadeiras doenças mentais.

Alguns poderão me perguntar: Mas, Ebrael, que conversa é essa?? Pensei que você fosse mais heterodoxo em relação a esses assuntos…

E sou mesmo!! O que eu disse foi justamente para reforçar a minha opinião de que toda as crenças num pecado original acarretam, no imaginário de todas as pessoas, culpas insuportáveis. Ou seria o contrário??

 

Eu creio que somente se pune por um ato próprio, crendo ter “pecado”, aquele que se culpa, se cobra e se condena por esse ato. A noção de pecado não existiria se as pessoas não se culpassem a todo momento. Não existiria pelo que ter medo, apenas temor da própria Consciência. Quem não se culpa, quem não se condena, não achará que merece o inferno, não se crerá o pior ser do planeta nem tentará suicídio. Uma pessoa que não carrega a culpa vive mais feliz, mais leve e é mais segura. Uma pessoa assim nunca pensará que é imperdoável, nem tampouco que é digno de que sintam pena dela.

Não carregar a culpa não significa ser inconsequente e fazer qualquer coisa sem se preocupar com as implicações de seus atos no mundo ao seu redor. Significa apenas não se agarrar ao que já passou, ao que se fez de errado, mas ao que podemos fazer de certo dali em diante, ao que podemos fazer para melhorar e consertar uma situação infeliz.

Continuando, isso implica uma mudança de atitude. Parar de pensar pela cabeça dos outros e se livrar de tudo que nos remete a sentimentos de auto-condenação. Se há algo no mundo realmente diabólico, é o sentimento de culpa, a noção de pecado. Se arvoram muitos a pregar a mensagem de Jesus, mas mal se lembram eles de quando Jesus falou à prostituta: “se ninguém te condenou, eu também não te condeno”.

Já citei aqui no blog várias vezes uma frase de Eliphas Levi, que eu tomo como referência para mim e para o blog:

A Liberdade não é a libertinagem, pois a libertinagem é tirania;

A Liberdade é a Guardiã do Dever, porque reinvindica o Direito.

Isso quer dizer que somos os únicos responsáveis por nosso destino, seja para o que consideramos bom ou mal. Não existe condenação ou salvação, a não ser a partir de nossa própria alma, e não exterior a ela. Não há Salvadores nem Acusadores, que possam mudar nosso destino, à nossa revelia. Somos plenamente livres!! Basta que deixemos as ilusões de lado!! Mas, que ilusões são essas??

A primeira e mais covarde, é a ilusão do pecado!! Não há nada definitivo no Universo. Não vou arder no mármore do inferno se transar com alguém fora do casamento, nem mesmo vou para o céu do Arco-Íris pelo simples fato de dar uma esmola mirrada a um pobre desconhecido, sem sequer permitir a ele que sinta o calor da minha mão. Vou apenas para onde meu coração me levar, pois conforme deixou dito Jesus

Onde estiver teu coração, aí estará teu tesouro!!

Seja esse tesouro bom ou mal, o Inferno de Sodomias ou um Céu de Brigadeiros, esse tesouro é meu destino, é o rumo aonde chegará minha Essência, é minha verdadeira Vontade.

A segunda: é a ilusão de que a salvação ou a condenação da alma vêm de fora de nós mesmos! Jesus disse:

O Reino dos Céus está dentro de vós!!

Se assim é, estar fora de mim é o Inferno. Crer que algo fora de mim pode interferir em meu destino é a Mentira. O Deus Vingativo, de fora de nós, que condena e remete todos os “desobedientes” e rebeldes a um lago de fogo ardente, é o verdadeiro Diabo. Se esse Deus existe, seu intento maior é nos separar de nós mesmos, nos tornar escravos de crenças que não são nossas, nos tirar a felicidade que o corpo material, servindo à alma, pode dar em forma de sexo sadio e sem culpas. Jesus não é Deus, e ele mesmo o disse várias vezes. Mas os homens sempre têm que fabricar deuses que moram fora deles mesmos, tamanha é sua escravidão à matéria, tamanha é sua cegueira, pela qual a única forma que acham ter de se relacionar com Deus é torná-lo tão estúpido como eles são, obrigando-se a adorar a seus deuses em blocos de pedra polida.

Não cultuo a Deus em lugar algum fora de mim. Ele está dentro de mim. E se permite que eu viva mais um dia e escreva tudo isso a vocês, é porque meus atos egoístas e defeitos não são mais estúpidos que as regras escritas nos corações dos homens, criminosamente, para evitá-los. Exemplo disso é a condenação do sexo, pela Igreja e pelo Islã, como fonte de prazer.

Num próximo post vou dar minha opinião sobre a repressão contra o instinto mais poderoso da natureza humana: o instinto sexual!!





Vídeos de violência policial pelo Brasil afora.

11 10 2009

Aproveitando o artigo que publiquei nas Memórias de Ebrael Shaddai, denunciando a violência cometida contra 3 jovens da cidade de Timbó (SC), no último dia 27 de setembro, resolvi procurar e divulgar outros vídeos, e expor a brutalidade animalesca da banda podre e de filhos-da-puta, a serviço do aparelho repressor, na Polícia brasileira.

Alguns vídeos podem conter cenas fortes. Se você tiver problemas de saúde, for gestante ou menor de idade, recomendo que não os assista!!





Parque da Serra do Tabuleiro e Guarda do Embaú – Santa Catarina

22 09 2009

Atendendo a pedidos de leitores, estou postando hoje especialmente para celebrar duas das paisagens mais belas e/ou frequentadas de minha cidade: Palhoça, estado de Santa Catarina.

 

Parque Estadual da Serra do Tabuleiro

É a maior Unidade de Conservação do estado de Santa Catarina. Ocupa cerca mais de 1% do território catarinense, ou seja, 874 km², aproximadamente. Abrange áreas dos municípios de Florianópolis, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas, São Bonifácio, São Martinho, Imaruí, Garopaba e Paulo Lopes.

O Parque tem variada vegetação, reunindo cinco das seis composições botânicas do Estado. Começa no litoral, com a paisagem da Restinga, sobe a serra, alcançando o planalto em meio à vegetação dos Pinhais, passando, nessa transição, pela Floresta Pluvial da Encosta Atlântica, vegetação da Matinha Nebular e os Campos de Altitude da chapada da serra. Dentre a vegetação formam-se rios e córregos que serão responsáveis pelo fornecimento da água potável utilizada pelos moradores de toda Grande Florianópolis.

Dentre os onze habitats principais (ecossistemas) identificados num estudo recente  realizado pelo Banco Mundial/Fundo Mundial para a Natureza (WWF) para a América latina e o Caribe (LAC), cinco deles ocorrem no Parque: florestas tropicais úmidas de folhas largas (mata atlântica), florestas tropicais de coníferas (floresta de araucária), restingas, campos de altitude e manguezais. A maior parte do Parque está coberta pela mata atlântica, uma ecoregião terrestre considerada pelo estudo do Banco Mundial de máxima prioridade regional para a conservação da biodiversidade. Outro estudo recente do Banco Mundial inclui o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro numa lista dos habitats naturais críticos na região da América latina e do Caribe.

A sede do Parque fica às margens da BR-101, no município de Palhoça, a 40 km de Florianópolis, em direção ao Sul do Estado. A sede do Parque estava fechada para reformas desde 98 e agora foi reaberta com maior estrutura para receber os visitantes. Foram construídos um centro de visitantes, portal, estacionamento, local para controle e recepção e trilha interpretativa. O centro de visitantes é a maior edificação com 270m2 de área construída e auditório para 80 pessoas, área para administração, oficinas de educação ambiental, recepção e banheiros, inclusive para deficientes. Na trilha, com 1.000m, os visitantes são acompanhados por guias. Localizada na Baixada do Maciambu, uma área de restinga, a trilha permite caminhar por partes da sede do Parque antes inacessíveis, observando a fauna e a vegetação local. O Centro funciona de segunda à sexta, das 13h às 19h e a entrada é gratuita. As visitas podem ser agendadas através do telefone (48) 3286-2624.

 

Guada do Embaú (praia da) – Palhoça – Santa Catarina

A praia da Guarda do Embaú localiza-se ao sul do município de Palhoça, estado de Santa Catarina. É internacionalmente conhecida prlos surfistas e praticantes de ecoturistas, assim como veranistas da América do Sul. A praia é lembrada sempre como sede de etapas da WCT e do WQS, circuitos internacionais de Surf. Teve como núcleo incial uma vila de pescadores, com um rio que corta a praia e deságua no mar, através de um canal proporcionando assim estas duas opções de lazer.

 

O mar  propício à prática do surf sendo considerado um dos melhores locais do  Brasil, e o rio ideal para caiaque, passeios de barco, que são oferecidos pelos próprios nativos, e outros esportes praticados em águas calmas.É um paraíso em meio a natureza, preservado pelos nativos e turistas.

Para aqueles que desejam se aventurar, a Guarda reserva momentos inesquecíveis. Nem precisa ir tão longe. Para chegar a praia ou você atravessa o rio ou faz uma caminhada de uns 8 minutos entre as trilhas do morro que da acesso a praia.

Se preferir algo mais emocionante, é só pegar a estrada e ir a Cascata da Zanela.

Cascata do Zanela

Cascata do Zanela

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Fontes:

http://www.guardadoembau.com.br

http://www.fatma.sc.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=76&Itemid=157





A crueldade do sistema de castas na Índia

13 09 2009

Alguns murmuradores poderão dizer que, com esse artigo, estou tentando me aproveitar da visibilidade de uma novela. Não nego que a novela Caminho das Índias trouxe ao conhecimento do grande público elementos de uma cultura um pouco distante. E trouxe questionamentos e polêmicas, principalmente. Uma delas é a relacionada ao sistema de castas da Índia.

O sistema de castas é um mecanismo de estratificação social dos membros da sociedade hindu. É baseado na crença milenar hinduísta de que as pessoas nascem com destino e posição determinadas na sociedade. Nas castas nascem e nelas devem permanecer, para que se cumpra o dharma (a Justiça) e se apague o karma, ou os “nós” que o prendem na Roda de Samsara (encarnações no plano físico). Então, não há possibilidade de progresso e ascensão social por esforços próprios. É tirada a esperança aos miseráveis e desfavorecidos, como também a possibilidade aos mais ricos de ajudarem aos mais pobres também, por sofrerem intimidação de suas castas e ameaça de expulsão, o que equivale à exclusão da sociedade.

Estima-se que as castas tenham surgido com a invasão dos Árias à Índia. Os árias eram tribos indo-européias que conquistaram a Índia há alguns milhares de anos. O sistema de castas, propriamente dito, teria surgido por volta de 850 a.C., e as primeiras  referências documentais datam do  período entre 600 a.C. e 250 a.C. Se apresentou como uma forma de segregar os invasores árias (de pele branca, indou-europeus) dos nativos indianos, chamados de dasas (ou escravos, de pele escura). Poderia mesmo comparar o sistema de castas hindu ao de um apartheid, mas com muito mais poder, pois se fundamenta em tradições religiosas antiquíssimas, milenares. E todos sabem como o povo hindu é religioso e tradicional. Se trocarmos em miúdos, até na Índia os europeus mandam, e há muito mais tempo…

As castas são tidas como criadas de partes do corpo de Brahma, o deus supremo do hinduísmo. Temos no alto da hierarquia os Brâmanes (sacerdotes, religiosos e sábios), que representam a boca de Brahma. Originados dos braços, termos os Shátrias (governantes, dignitários e militares). As pernas de Brahma teriam gerado os Vaysias (comerciantes e artesãos), e dos pés teriam saído os Sudras (agricultores e servidores pobres). E da poeira sob os pés de Brahma, começaram a existir (subsistir seria o certo) os Dalits (os “intocáveis”), que era a parte da criação de Brahma que é subestimada como nem sendo humana.

Apesar de todas as manifestações de órgãos humanitários, ao longo da história recente, tendo como ícone pelo fim da discriminação de castas o grande Mahatma Ghandi, o povo, inclusive os marginalizados Dalits, são muito apegados às suas tradições religiosas, mesmo que tais tradições tenham sido trazidas por povos não-indianos. Preferem se resignar aos maus tratos de toda a sociedade do que correr o risco de, por exemplo, reencarnarem em uma árvore ou animal. Nem mesmo com a Constituição de 1947, logo após a independência da Grã-Bretanha, houve significativo avanço nos direitos dos Dalits excluídos da Índia. Muito pelo contrário: a resistência manifestada pelo povo em defesa das tradições, tão excessivamente rígida, criou um clima de maior tensão ainda contra os Dalits.

As escrituras védicas (livros sagrados dos hindus) contém os preceitos básicos para os membros de cada casta. O membro de uma casta já nasce sabendo o que pode comer, o que pode vestir, qual profissão pode seguir e com quem pode se casar. Não há como escapar às rédeas das castas. A filha de um comerciante que se atreva a desdenhar o noivo que lhe foi destinado (muitas vezes, desde a infância) pode ser expulsa de sua casta, o que equivale a se tornar uma dalit.

E como vivem os dalits??

Segundo a tradição hinduísta, os dalits são a sujeira da sociedade, impuros por natureza (talvez uma segregação velada pela cor da pele dos escravos). Eles são a escória segundo a religião. Até mesmo os próprios dalits nutrem essa crença e toleram os ultrajes e crimes cometidos em nome da tradição. Segundo eles, a esperança é de que, suportando os ultrajes e impropérios contra eles, pacientemente, poderão, numa próxima encarnação, merecer nascer numa casta mais elevada.

Os dalits não podem comer o mesmo tipo de alimento dos membros de outras castas, e devem se alimentar em louças quebradas. Suas vestes são as herdadas dos cadáveres ou de outros dalits.

Não podem beber água da mesma fonte ou corrente dos outros, pois poderiam poluí-la. Só podem se casar com dalits, obviamente. Não podem tocar em ninguém de outra casta, nem mesmo a sua sombra pode “tocar” a sombra de outra pessoa.

Não devem estudar. Não podem entrar em lugar algum onde esteja um membro de outra casta nem em templos onde haja um religioso (brâmane). Na prática, isso os impede de praticar a fé, pois sempre, em todos os templos, há um religioso em serviço.

Como profissão, lhes são reservados os serviços considerados impuros, indignos e degradantes: lida com cadáveres (humanos e animais), limpeza de fossas e esgotos, varredura de ruas e acessos exteriores, coleta de lixo de todos os tipos. Resumindo: são tratados como lixo e devem ser mantidos em lugares próprios para o lixo, para o que é descartável, sujo e imundo. Vivem nas fossas e esgotos, pois são considerados a merda da sociedade, para os quais um “puro” não deve olhar, dos quais deve-se manter distância, em local seguro, dos quais precisam se esconder.

Vários crimes são praticados e tolerados pelas autoridades, em nome dos costumes. Mulheres dalits são estupradas e depois queimadas vivas, por serem elas tidas por culpadas do próprio estupro. Em casos de calamidades públicas, como nas enchentes das monções, que anualmente castigam a Índia, os dalits não recebem qualquer ajuda, e isso é encorajado pela população. Hipocritamente, dizem que isso é por caridade, para que morram e tenham seus sofrimentos, ou karma, abreviados.

Este é um depoimento de um cidadão indiano ao National Geographic:

“Girdharilal Maurya acumula pecados. Tem um mau karma: por que outra razão teria nascido numa casta intocável se não fosse para pagar pelas vidas passadas? Reparem, ele é um curtidor de peles: segundo o direito hindu, os trabalhadores dos curtumes tornam-se impuros, e as outras pessoas devem evitá-los e ultrajá-los. A sua indecorosa prosperidade é um pecado. Quem este intocável pensa que é para comprar um pequeno lote de terreno nos arredores da aldeia? Ainda por cima, atreveu-se a reclamar junto da polícia e das outras autoridades, exigindo servir-se do novo poço. Teve o que merecem os intocáveis: uma noite, quando Girdharilal saiu da cidade, 8 homens da casta superior ‘rajput’ foram à sua casa, derrubaram as vedações, roubaram o trator, espancaram a mulher e a filha e queimaram a casa.”

Em outro caso, recentemente, em junho de 2006, um repórter da revista Capricho publicou uma entrevista com um intocável. O entrevistado revelou que seu irmão, por ter invadido o quintal de um vizinho de casta Vaysia, foi castigado, sendo amarrado a uma árvore junto com seu pai: depois de uma tremenda surra, toda sua família foi obrigada a assistir as punições, enquanto o jovem era lentamente devorado por formigas selvagens.


Na prática, o Governo indiano se recusa a apurar e punir casos corriqueiros como esses, pois, como mostra um censo, 80% da população ainda apóia e pratica os preceitos para as castas, inclusive os dalits. Com a condescendência dos próprios dalits, fica difícil haver qualquer mudança. Afinal, essa maioria constitui o contingente que vota. E sabem como são os políticos, não sabem?? Apenas de olho nos votos, e não no poder transformador que têm em mãos, capazes de legislarem que são para o bem-estar do povo.

Falamos apenas das principais castas, mas estima-se que haja em torno de 6.400 castas, entre grupos rurais e regionais, cada qual com suas regras e rigores.

E nós, hem?! E nós, e eu também, que ponho o dedo na ferida do fanatismo cristão, muitas vezes, tenho que admitir que o fanatismo cultural hindu, incrustado por idéias discriminatórias, até nas camadas mais empobrecidas, todas cristalizadas na mente de toda uma sociedade por milhares de anos, é uma barbárie, um sofrimento coletivo. Imagino a quantidade de gente nas castas que gostaria de se solidarizar e interagir com gente de outras castas e ajudar o povo dalit e não o faz pelos rigores das tradições, pela intimidação dos senhores de casta. Quanta gente gostaria de se libertar de tais crenças recalcadas e retrógradas, mas não o conseguem, pela força que as idéias religiosas exercem sobre suas mentes!!

Reflitamos então!! Nada de inflexibilidade!! Nada de intolerância!! Devemos praticar a solidariedade e olhar no rosto do próximo sempre como nosso igual.

Namastê!!

O Divino em mim saúda o Divino em você!!

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Leia mais:

http://artedartes.blogspot.com/2008/01/sistema-de-

castas.html

http://www.esoterikha.com/grandes-misterios/triangulo-das-bermudas/invasao-arias.php






Divagações filosóficas: a “ressurreição” de Jesus

6 09 2009

Acordei hoje atrasado. Atrasado para o que mesmo? Para ir ao batismo de minha enteada, que está para completar 12 anos. Disse que não me lembrava, pois fazia algum tempo que não ia à Igreja católica. Aprendi desde cedo, em nossa Casa de Umbanda, o que é religião-raiz, e como, mesmo professando a fé nos Orixás, devemos respeitar as memórias que guardamos de quando não éramos filhos-de-santo. Religião-raiz seria, então, a fé no meio da qual nascemos, fomos criados e educados, a religião de nossos pais carnais.

A missa até que não me causou enfado, pois o padre aqui da paróquia é uma pessoa dotada de boa palavra, sabe falar para pessoas de diversas mentalidades, sem contudo abdicar do discurso a que se propõe. Mesmo sendo, no coração, um cristão, pois levo no peito os ideais humanistas de Cristo (e não do cristianismo, o que é bem diferente), é fato que quando estamos em outro ambiente religioso esquecemos ou deixamos que se diluam as lembranças e o sentimento religioso de outrora. E a prova de que ainda nutro bastante simpatia pelos ideais cristãos é que, durante o sermão e os ritos da missa, fiquei com o pensamento dividido entre Cristo e as lembranças dos Orixás.

Então, durante o sermão, depois de cada palavra-chave proferida pelo padre, comecei a divagar, devanear mesmo, acerca de assuntos ligados a Cristo: sua vida, os fatos obscuros e polêmicos narrados pelos Evangelhos que conhecemos e os de Nag Hammadi (apócrifos).

E é justamente nesses momentos de aparente transe, devaneio, desdobramento, que extraimos e sintetizamos as principais idéias novas que surgem em nossa vida. Afinal, por experiência própria ou não, aprendi que os principais “ventos” da inspiração passam por nós durante as crises nervosas, exacerbação dos sentidos (visão de uma paisagem, cheiro de flor, audição de uma ópera, etc.), emoção profunda, comoção da morte iminente e… abstração do pensamento filosófico-religioso. Pensar sobre idéias sobre as quais não sabemos muito, portanto abstratas, como Arquétipos, quase sempre tende a alterar, nem que levemente, nosso estado de Consciêcia. Então, à medida em que o padre dava seu sermão, me vieram questões e algumas idéias soltas na cabeça. Nessas horas, nunca temos um caderno de anotações. Isso é o que me irrita…

A primeira coisa que me veio à mente foi, quando aquela multidão de gente de todos os tipos começou a rezar o Glória. Vi então o poder que o Papa traz consigo. A Bomgbogira de nossa Casa disse que a Igreja não possui “fundamento”. Aqui, a palvra “fundamento” não denota a razão de ser da religião, mas uma hierarquia espiritual que, através de um centro comum (um templo, um objeto magnetizado, um altar “original” e imantado), conduz e protege as almas dos que são ligados ao serviço daquela religião. Exemplos de religiões que possuem fundamento são a Maçonaria, a Ordem Rosacruz, a Umbanda e Candomblé, e também ramos hunduístas e do Budismo Tibetano. Também concordo, pois as orações e rituais são destinados a uma personalidade cuja acepção é indevida, como no fato de Cristo ser Deus e ter sido homem ao mesmo tempo. Os milagres dos “santos”, os fenômenos “sobrenaturais” são atribuídos de forma supersticiosa a esse santo ou aquele objeto, quando na verdade, podem muito bem ser fruto da ação da fé individual ou coletiva, a que eu chamo de mente-grupo ou egrégora. Então, desconhecendo os fenômenos de sua própria religião, os católicos, ou a maioria deles, jazem no que temos por ignorância.

Inevitavelmente, me veio algumas questões acerca da vida de Jesus, o Messias. Esse homem é, sem sombra de dúvida, o maior Iluminado dessa era, aliás, aquele que a inaugurou. E, a despeito do que falam os thelemitas, ele não foi o culpado, e suas idéias, de mergulhar o povo na ignorância. Os seres humanos não necessitam de quem os faça ver como são ignorantes. Veio, com uma missão, cumprindo profecias judaicas antiquíssimas. Apenas suas palavras foram mal-interpretadas, ou distorcidas deliberadamente por gente oportunista, sedentas de poder. Mas a essência de sua mensagem vai ecoar durante muito mais tempo do que Crowley previra. E a corrente cristã (à qual Crowley apelidava de “corrente  astral já morta”), não a corrente ignorante e supersticiosa, mas dos adoradores do Santo Espírito, se estenderá e sobreviverá quando a essência do Verbo se revelar cristalina, aos olhos dos que os têm para ver, e aos ouvidos dos que os possuem para ouvir. E a Verdade libertará os corações dos que a buscam, e lhes dará vida em abundância.

O padre começou a falar da cura do surdo-mudo, tema da liturgia de hoje. Falou algo que me surpreendeu positivamente: que a cura do surdo-mudo, em si, de nada valia; Jesus o havia curado somente para lhe trazer ânimo novo e esperança ao seu coração. Imaginem: pobre e ainda deficiente físico, naquela época?? Pensei também que Jesus recomendava que não espalhassem notícias de cura, não só para evitar que lhe perseguissem, mas  para que a vaidade e a soberba não lhes trouxessem novamente “doenças” na alma e apertasse novamente o “nódulo” do Karma.

E quando ele falou da “ressurreição” de Jesus, me veio estranhamente à mente a novela das nove horas da Globo: Caminho das Índias. Mas, por que? Depois de cinco minutos pensando, enquanto corria a missa, me lembrei de como o personagem Raul (Alexandre Borges) simulou a própria morte para fugir com a Ivone (Letícia Sabatella). Ela aplicou um narcótico que causava uma letargia profunda, profunda mesmo. Os sinais vitais desapareceram, aparentemente, é claro, mas havia preservação interna dos órgãos, e os neurônios, simplesmente, “hibernavam”. Não havia morte cerebral mas, ao mesmo tempo, não havia sinais que indicassem que ainda havia vida. Passadas algumas horas, quase um dia, antes de ser enterrado, ele acorda “milagrosamente”, depois de passado o efeito da droga, e troca de lugar com um fardo de peso, no caixão. Enterram, então, um fardo não-humano.

Bem, sabe-se que Jesus passou dos 12 anos em diante (e aos 13 anos õ rapaz faz a primeira iniciação à vida adulta no judaísmo, o Bar-Mitzvá) um bom tempo no Templo, estudando com sumos-sacerdotes (doutores nos segredos da Cabala) e com os essênios, anos mais tarde. Além do mais, quando já com seus 30 anos, tinha como companhia e aliado em Jerusalém, o Rav (Rabi) José de Arimatéia, que teria grandes conhecimentos em Cabala e Medicina Secreta.

Quadro "AÚltima Ceia", de Leonardo Da Vinci.

Quadro "A Última Ceia", de Leonardo Da Vinci.

Vamos analisar cronologicamente:

1) Jesus anuncia suas intenções de “entregar” seu corpo para que todos vivam. Jesus e seus seguidores estavam sendo perseguidos pelas autoridades. E teriam muito mais motivos que pensamos, já que Jesus sendo um descendente de Davi talvez pretendesse ao trono. Com certeza, o reino de Jesus não era deste mundo, principalmente considerando a origem elevada de sua Essência. Mas, e se ele fosse mesmo casado com Maria de Betânia (ou como queiram, Madalena)?? Maria de Betânia, segundo alguns teóricos, seria também descendente de um ramo real davídico. A passagem que narra Jesus entrando, montado num jumento, e sendo aclamado como Rei pelo povo de Jerusalém fortalece bastante essa teoria. Jesus pretendia restabelecer a realeza, mas sabia que não conseguiria. Ao menos queria ser aclamado como rei, antes de ter que realizar sua tarefa. E qual tarefa era essa??

2) Com sua seita sendo perseguida pelos sacerdotes, que tinham medo que Jesus reinvidicasse a Realeza e conclamasse o povo a uma revolta contra os romanos (o que, para eles, signifcaria a perda de seu poder e o extermínio do povo judeu), Jesus deve ter pensado:

 - Se eu me entregar, o povo enterrará de vez o sonho da restauração de Israel, pois chamarão ao Rei de fraco. Se eu não me entregar, vão dizimar esse povo todo que me segue e apóia. O melhor a fazer é que alguém me “entregue”. Assim, não passarei por fraco, eles terão a quem querem, saciarão sua ira e ninguém mais morre, além de o povo poder continuar a esperar pela vinda do  Messias. Para eles, não serei mais o Messias. Não perderão a esperança. Mas quem irá “me entregar”?? Tem de ser alguém fiel, que não corra o risco de contar tudo se submetido a torturas. Já sei, será Judas (que era um “terrorista” e ativista político)!!

3) Na hora do “acerto”, Jesus diz a Judas: “Vai fazer o que tens a fazer”. E Judas sai correndo “executar o serviço”. Judas aceita a grana de um mês de serviço de lavrador (30 denários) e traz o pessoal (quase 500 soldados, um batalhão daquela época). Isso era para o caso de, quebrado o contrato, os soldados matarem a todos (em torno de 5 mil seguidores). Para os sacerdotes era confortável, pois eram “patriotas” e não precisariam matar gente do seu próprio povo.

4) O sinal era um beijo. Era o combinado. Houve um certo tumulto quando puseram as mãos em Jesus, mas Jesus disse que ali estava quem eles foram pegar. O povo foi liberado. O fato de Judas ter se suicidado depois é por estar consciente do que seu Mestre teve de fazer para salvar a todos eles, e que ele e os outros, na sua visão, não mereciam que o Mestre morresse por eles todos, ele que era o Rei de Israel por direito. Mas Judas não sabia da missa a metade…

5) Fico pensando se José de Arimatéia, enquanto Jesus era interrogado, não estaria preparando uma daquelas drogas letárgicas, como a que o personagem Raul tomou. Será que José de Arimatéia, que estava presente ao interrogatório de Jesus, não teria feito chegar a Jesus, através de algo para beber, a droga à Jesus??

6) Jesus é crucificado. Não aceita nem vinagre para beber. Bem, se estivesse com muita sede, e me esvaindo em sangue, com certeza, eu tomaia até mijo!! Não teria aceitado o vinagre para não diluir a droga e lhe tirar o efeito??

7) Jesus vê o “apóstolo amado” e sua mãe, Maria e fala: “Filho. eis aí tua mãe”, e a Maria: “Mulher, eis aí teu filho”. Bem, isso aí pode ter sido uma adulteração sutil de palavras. Esse tipo de recomendação pessoal é dada, no Oriente Médio, quando o homem, no leito de morte, recomenda a esposa à sua mãe, para que seja dali em diante como filha, e vice-versa. “Apóstolo amado”, pois Maria de Betânia era também sua apóstola, segundo os Evangelhos.

8 -  Bem, logo depois, José de Arimatéia vai até Pilatos, aflito, pedindo para que pudesse ele tirar o corpo de Jesus logo da cruz. Estranho, pois os condenados à cruz eram amaldiçoados pelo povo e tinham seus corpos deixados para que os urubus comessem o cara. Ninguém, segundo a lei judaica, poderia tocar no corpo de um condenado ao madeiro. Muito menos José de Arimatéia, que era membro do Sinédrio (conselho dos sacerdotes). Mais curioso ainda: a sorte de Jesus foi que não lhe quebraram as pernas, senão a ferida exposta poria fim à integridade do corpo sob o efeito da droga. Se fosse uma fratura exposta, o resto do sangue se esvairia. Aí ninguém daria jeito. Ou, se fosse fratura íntegra (não exposta), geraria um edema grave com coagulaçao instantânea, já que depois de fazer efeito a droga, o fluxo sanguíneo estaria praticamente nulo. Alguém deve ter impedido de que lhe fossem quebradas as pernas, que era para apressar a morte que, devido a isso. ocorria por sufocamento: o corpo, pendurado, perdia o único apoio, o das pernas, e o peso do corpo comprimia os pulmões até a morte por asfixia.

9) Depois de mais de um dia desacordado (sexta-feira à tarde até domingo de madrugada), todo quebrado, Jesus acorda e sai todo machucado, mas vivo de dentro do sepulcro. Na verdade, não houve embalsamamento funerário, mas o tratamento das graves feridas, causadas por pelo menos uma hora de flagelação com o “gato de 9 caldas” e pelos enormes cravos da cruz. O efeito da droga já havia acabado por completo. A causa do adormecimento profundo dos soldados, eu não sei. Suborno ou  uma outra droga misteriosa dada a eles ou aplicada, quem sabe. Mas tudo correu conforme o previsto. O Rei estava vivo, não mais para ser Rei, mas vivo. E seus seguidores continuariam vivos também, tendo esperança, e iriam espalhar suas palavras por toda a Europa, Norte da África e Oriente Médio.

10) Mais de um mês depois de ter aparecido vivo para Tomé (com cara de babão) e os outros, Jesus encontra seus apóstolos na Galiléia. O final, de que Jesus teria subido ao céu de corpo e alma, é claro, para mim é folclore e foi inserido muito tempo depois de os evangelhos originais terem sido escritos. Afinal, um Homem-Deus não poderia passar o resto de sua “eternidade” num mosteiro essênio (para a Igreja, gente suspeita!) no alto do Monte Karmel nem fazendo um tour pela Índia.





Quem foram os Cátaros??

3 09 2009

A história da formação das religiões e de suas doutrinas e filosofias me atrai deveras. Principalmente a da Idade Média. Não sei porque, mas talvez tenha participado ativamente de alguma instituição religiosa, em uma encarnação daquela época. Ou como iludido, charlatão, prelado, teórico ou “herege”. Sei lá, mas muitas coisas me atraem e me deixam indignado, ao mesmo tempo, nos fatos daquela época.

E para falar um pouco das religiões daqueles tempos de fúria religiosa, vou discorrer um pouco sobre um pessoal que me intriga até hoje, ora pela coragem ora pelos ideais, um pouco extravagantes eu sei: os Cátaros

Mas mais extravagante achei a forma “sutil” de a Wanderléia cantar (ou pelo menos tentar) o Hino Nacional há alguns dias. Pitoresco aquilo!! Mas deixemos a mulher-papelão na dela…pelo menos por enquanto!!

Bem, em primeiro lugar vamos ao nome pelo qual eram conhecidos: Cátaros. Poderemos traduzir por “os Perfeitos”. Um título, digamos, pretensioso para nós. Mas, ao ver deles, a forma com que viviam é o motivo pelo qual assim se intitulavam. O nome causa em mim, no mínimo, um calafrio na espinha. Soa como nome de alguma máfia italiana?? Imaginem: “Gli Catari”!!

A verdade é que primeiro foram tidos por loucos e foram deixados em paz com  sua “loucura” pela Igreja. Mas quando o poder político de uma região inteira do sul da França (Provence e Languedoc) começou a sofrer a influência dessa crença que começou a converter nobres, então a Igreja começou a perseguir os “loucos”. Não podia perder as ricas doações e o apoio político (quero dizer, também militar) de uma parte de seu fígado, que era a França.

O Catarismo foi uma filosofia cristã dissidente do catolicismo da Idade Média, que se instalou em países da Europa Ocidental (norte da Itália, França, norte da Espanha e até mesmo na Inglaterra), conhecida como heresia cátara ou heresia albigense, surgida em fins do séc. XII.

 

E aí?? No que eles acreditavam que motivasse tanto temor e ódio por parte da “mãe” Igreja??

Eles contrariavam frontalmente o Dogma católico reinante no que toca a Cristo, a Deus e à Criação. Enquanto os católicos criam que Deus é a fonte do Bem, apenas e o mal surgiu depois, os cátaros declaravam que tanto o Bem como o Mal surgiam de Deus, enquanto criador de todas as coisas. Tudo na Criação (enquanto criação de Deus, obviamente) obedecia à Lei dos Opostos. Tudo sofria essa influência primordial. Baseados nisso, discorreram em seus ensinamentos e práticas acerca dos pares espírito-matéria, luz-treva, bem-mal.

A despeito de seu rápido florescimento e expansão, em algumas regiões da Europa não houve tempo para que uma organização cátara vingasse, por causa da rápida e brutal ação dos capangas papais. Em outras, porém, onde a repressão não obteve resultados imediatos, o catarismo se arraigou vigorosamente em todas as camadas sociais. Essas regiões se encontravam, principalmente, na França (Languedoc, Provence e Aquitânia).

No sul da França, as cidades mais importantes e cruciais para o Catarismo foram Agen, Lombers, Saint-Paul, Cabaret, Servian e Montsègur, comparáveis a bispados. Havia cidades com hierarquias logo abaixo, assemelhando-se a paróquias. 

Os cátaros chamavam a si próprios “bons cristãos” ou “bons homens”. Existia uma distinção entre aqueles que recebiam o Consolamentum (uma espécie de ordenação) e os cristãos normais. O grupo dos ” ordenados” constituía a hierarquia cátara, em que se incluíam os prefeitos, que usualmente pregavam aos pares: o “filho mais novo” e o decano. Havia um ou vários “filhos mais novos” que se tornavam prefeitos itinerantes e coordenados por um bispo, que tinha à sua responsabilidade uma determinada área geográfica restrita.

Formou-se, então, uma cruzada anti-cátara, reunindo exércitos da Itália, Espanha, Alemanha, da própria França e Áustria, visando, com a bênção papal, exterminar os hereges. Uma figura-chave no início do conflito e na resistência cátara fora o conde de Toulouse, Raymond VI. Homem pacato, pacífico, que embora não fosse um cátaro, era tolerante com a fé alheia e os protegia. Foi destituído por ordem da Igreja que, no IV Concílio de Latrão, condenou de vez a heresia cátara e determinou a “fabricação” da Inquisição (maldita Inquisição!!), para que houvesse quem se dedicasse ao santo trabalho (!!) de julgar, perseguir e matar todos os hereges em cada canto da Europa. Mas Raymond VI deu trabalho, reconquistou Toulouse aos cruzados e resistiu por longo tempo ainda.

    

Do alto dessas torres, inocentes se atiraram em fogueiras no fundo do penhasco abaixo para não se renderem à tirania católica.

Do alto dessas torres, inocentes se atiraram em fogueiras no fundo do penhasco abaixo para não se renderem à tirania católica.

 

Mas, como não poderiam resistir tanto tempo ao ódio de uma Igreja-Urso que os queria comer logo, acabaram decaindo nos idos do séc. XIII. Um episódio marcante que retrata o começo do fim dos cátaros foi o massacre de Montségur. Era quarta-feira, 16 de Março de 1244. Tendo caído a fortaleza de Montségur, a 1.200 metros de altitude, após 10 meses de cerco, 225 homens, mulheres, crianças e idosos se atiraram, cantando, nas fogueiras lá embaixo no fundo do penhasco, preparadas para esse fim, recusando-se assim a abjurar sua fé.

Após esse episódio-chave, houve uma gramde dispersão e fuga de cátaros para diversas regiões, principalmente para o norte da Itália e Lombardia. Mas logo são novamente acossados.

As hierarquias cátaras acabam por se verem constrangidas ao reduto fortificado de Cirlien. Cirlien será um novo Montségur. Assediada, a praça rendeu-se a 1276 e duzentos prefeitos e prefeitas foram queimados. Nos Balcãs, em contrapartida, a heresia dualista, transformada em religião de Estado na Bósnia mantém-se até à conquista turca no século XV. Recusando aliar-se, tanto à Igreja de Roma como à Igreja Ortodoxa, os bósnios, se bem que de etnia eslava, passam para o Islã. Os seus descendentes são os atuais muçulmanos da Bósnia.

Os relatos e referências aos cátaros vão desaparecendo aos poucos, e a religião cátara torna-se ainda mais minoritária e clandestina que um dia já fora. As maiores fontes a respeito dos últimos cátaros são as dos documentos da Inquisição, mormente os de cidades pequenas e do interior.

Há, ainda hoje, algumas denominações que se intitulam como cataristas, como por exemplo L’Eglise Cathare du Dieu Orientale  (A Igreja Cátara de Deus Oriental). Segue o link para os interessados:

http://www.eglise-de-dieu.org/ 

 

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Referências de Pesquisa:

http://www.comunidade-espiritual.com/blog.php?sub_section=view&id=4523